quinta-feira, 26 de junho de 2008

A Mafaldinha na Feira de S. João...

São tantas batalhas,
é tão funda a dor
São tantas imagens

de abandono e desamores
Há gente caída no chão
Sem ninguém que os abrace,

sem ninguém que os levasse
Antes da escuridão

Então desenho o teu corpo em mim
A forma da tua mão em mim
Pudesse ser essa a forma do mundo inteiro
Acordo só para te ver dormir,
assim, em paz

São tantos os medos
calados por dentro
Estilhaços de guerra
sem luar nem vento
Cravados tão fundo
no peito
Sem ninguém que os arranque,
sem ninguém que estanque
O mal que foi feito

São tantos olhares
de espanto vazios
E é tanto escuro e faz tanto frio
Há gente caída no chão
Sem ninguém que os abrasse,
sem ninguém que os levasse
Antes da escuridão

Então desenho o teu corpo em mim
A forma da tua mão em mim
Pudesse ser essa a forma do mundo inteiro
Acordo só para te ver dormir, assim, em paz
Então desenho o teu corpo em mim
A forma da tua mão em mim
Assim, em paz!



E esta foi uma das músicas que ficou no ouvido depois do concerto da Mafalda Veiga..

domingo, 22 de junho de 2008

Feira de S. João...


Feira em que há Leitão à Mealhada e tudo...
(Meus queridos Alentejanos não é Leitão à Mealhada, mas sim Leitão à Bairrada!!)

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Restolho

Porque acordei com esta música na cabeça e porque me acompanhou o dia todo, aqui fica:



Geme o restolho, triste e solitário
A embalar a noite escura e fria

E a perder-se no olhar da ventania
Que canta ao tom do velho campanário

Geme o restolho, preso de saudade
Esquecido, enlouquecido, dominado
Escondido entre as sombras do montado
Sem forças e sem cor e sem vontade

Geme o restolho, a transpirar de chuva
Nos campos que a ceifeira mutilou
Dormindo em velhos sonhos que sonhou
Na alma a mágoa enorme, intensa, aguda

Mas é preciso morrer e nascer de novo
Semear no pó e voltar a colher
Há que ser trigo, depois ser restolho
Há que penar para aprender a viver
E a vida não é existir sem mais nada
A vida não é dia sim, dia não
É feita em cada entrega alucinada
Prá receber daquilo que aumenta o coração






Porque há coisas que fazem sentido sem sabermos o porque...

domingo, 15 de junho de 2008

Segue o teu destino

Segue o teu destino,
Rega as tuas plantas,
Ama as tuas rosas.
O resto é a sombra
De árvores alheias.

A realidade
Sempre é mais ou menos
Do que nós queremos.
Só nós somos sempre
Iguais a nós-próprios.



Suave é viver só.
Grande e nobre é sempre
Viver simplesmente.
Deixa a dor nas aras
Como ex-voto aos deuses.

Vê de longe a vida.
Nunca a interrogues.
Ela nada pode
Dizer-te. A resposta

Está além dos deuses.


Mas serenamente
Imita o Olimpo
No teu coração.
Os deuses são deuses
Porque não se pensam.

Ricardo Reis