Ah coisas que nos tocam mesmo...
Ontem fiz a minha última viagem de expresso de Évora para Coimbra, e estava na fila para entrar e ao meu lado estava um miúdo (de 8/9 anos) com o bilhete na mão a falar para a mãe e ao lado estava o irmão com (3/4 anos) a chorar que nem um perdido, enquanto ainda esperavam para entrar falavam mãe e filho à cerca do desconto do bilhete sem tentarem dar muita importancia ao "gaiato" que chorava desalmadamente...
E enquanto isso Daniela Monteiro começou a sorrir para a criança, que rapidamente parou de chorar e foi esconder-se atrás das pernas da mãe, muito sinceramente não sei se foi de vergonha ou de medo... essa questão vai permanecer...
Mas aí chega a altura do irmão entrar para o autocarro e volta o gaiato a chorar ao gritos, não vás, eu vou ficar sozinho... O irmão lá se despediu dele, com um beijo na testa e da mãe muito carinhosamente.
Quando estava para entrar no expresso perguntou ao condutor se podia levar a mochila que tinha às costas e ele disse que sim, mas que tinha de a colocar na prateleira de cima (o miúdo devia ter pouco mais de um metro...), enquanto isso a mãe disse-lhe, pedes a alguém que te ajude.
Ele entrou, eu entrei escolhi o meu lugar e entretanto olhei para o miudo e lá estava ele a tentar colocar o saco na patreleira, lá fui eu ajuda-lo, acredito que com a persistência que ele tinha seria apenas uma questão de tempo e ele sozinho iria conseguir colocar a mochila no sítio... (uma das primeiras coisas que fiquei a admirar no míudo).
Quando me sentei reparei que o irmão continuava a chorar ao colo da mãe, e então vi o irmão a sair a correr do autocarro e a ir buscar ao saco que já estava arrumado no purão, algo para o irmão, que deixou de chorar...
A viagem foi-se fazendo e na paragem de Fátima entra outra criança também com 3/4 anos, com a irmã, a mãe e com cara de choro o gaiato, (sentaram-se todos perto do meu lugar, facto que deu para ver o que aconteceu pouco depois) o míudo veio ao pé da outra criança entregar-lhe uma pequena bola para ele brincar durante a viagem...
Passado, 2/3 min reparo agora que o míudo estava a tentar tirar a mochila que tinha na prateleira, que estava presa, quando cheguei lá para o ajudar já ele a tinha tirado... (Pensei cá para mim, grande miúdo)
Quando cheguei a Coimbra ele também saíu e foi buscar o saco com um rapaz, que lhe perguntava:
- Não te esqueste de nada? esté tudo?
e ele muito confiante dizia:
- Está tudo.
Esta história toda para dizer que fiquei a admirar aquele miúdo, pela sua atitude, pela sua determinação, pela sua responsabilidade, que hoje em dia é dificil encontrar numa criança com aquela idade... Muito sinceramente espero que tudo na vida lhe sorria :)